Esta Carta Não Vai Acabar Com o Racismo no Futebol

Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images

Eles estavam me chamando de n****.

Eles gritavam: “Vá se foder, vá comer uma banana”.

Cada vez que eu tocava na bola, eles faziam grunhidos de macaco.

Não foram apenas algumas pessoas. Foi uma grande parte dos torcedores da Lazio durante o Derby della Capitale, em 2017.

Esse não foi o primeiro ato racista que sofri, mas, certamente, o pior. Foi ódio real. Você sabe disso quando vê nos olhos deles.

No momento, não reagi. Eu não saí do campo. Não queria dar a eles esse tipo de poder. Mas, por dentro, não importa o quão forte seja, se você é um ser humano com um coração batendo, ficará marcado por isso.

Sempre que algo assim acontece, como o mundo do futebol reage?

As pessoas dizem: “Ahhh, é tão terrível”.

Os clubes e os jogadores postam uma pequena mensagem no Instagram: “Chega de racismo!!!”.

Todos agem como se fossem “apenas alguns idiotas”.

Há uma investigação, mas nada acontece. De vez em quando, temos uma grande campanha nas redes sociais, todo mundo se sente bem consigo mesmo e, então, voltamos ao normal.

Nada muda realmente.

Por que a imprensa, os torcedores e os jogadores se juntaram para acabar com a Superliga em 48 horas, mas, quando há abusos racistas evidentes em um estádio de futebol ou online, é sempre “complicado”?

Talvez porque não sejam apenas alguns idiotas nas arquibancadas.

Talvez porque vá muito mais a fundo.

De vez em quando, temos uma grande campanha nas redes sociais, todo mundo se sente bem consigo mesmo e, então, voltamos ao normal.

Antonio Rüdiger

Olha, eu penso muito sobre Daniele De Rossi. Ele veio até mim depois da partida com a Lazio e disse algo que nunca tinha escutado antes. Eu ainda estava muito abalado, com muita raiva. De Rossi sentou-se ao meu lado e falou: “Toni, sei que nunca vou sentir o mesmo que você. Mas me deixe tentar entender sua dor. O que está passando dentro da sua cabeça?”.

Ele não tuitou. Ele não postou um quadrado preto na timeline. Ele se importou.

Muita gente no futebol diz coisas publicamente, mas nunca chega até você pessoalmente. De Rossi queria saber como eu me sentia de verdade. Esse cara era um ícone do clube. Uma lenda. Quando entrei no vestiário pela primeira vez, eu parecia uma criança, de tão nervoso que fiquei ao vê-lo.

Mas, no momento mais difícil, De Rossi se preocupou comigo como ser humano. Ele queria entender.

Estou deixando algumas pessoas desconfortáveis ​​ao falar assim? Pode ser, mas sei que o mundo inteiro vai assistir à final da Champions League neste fim de semana e quero usar minha voz para falar de algo real.

Esta não é uma conversa de 10 minutos.

Esta não é uma legenda no Instagram.

Esta é minha vida.

Você quer ouvir minha história? Você realmente quer entender?



Existe um código da quebrada que todo mundo conhece.

Não importa quem você é. Se você cresceu em Berlin-Neukölln, como eu, ou nos bairros de Paris ou em qualquer bairro de imigrantes no planeta, você conhece esse código: se você vir a mãe de alguém caminhando pela rua carregando um monte de sacolas do mercado, você para o que estiver fazendo e vai ajudá-la.

Não importa se você estava brigando com o filho dela no campo de futebol cinco minutos atrás. Você leva aquelas sacolas até a casa dela!!! Este é o seu dever.

Há um entendimento de que, embora tenhamos origens diferentes e falemos línguas diferentes, todos vivemos neste bairro de igual pra igual.

Mesmo que sejamos todos meio f***didos, estamos todos f***didos neste lugar juntos.

É um mundo frio. Mas sempre há calor humano nas pessoas. Esta é uma das primeiras lições que você aprende quando criança.

Infelizmente, você também aprende lições difíceis.

Um dia, eu estava andando na rua perto do meu prédio quando vi uma senhora alemã mais velha carregando algumas sacolas de supermercado. Ela tinha aparência de vó, muito debilitada e custando a ficar de pé. Então eu fui dar uma mão. “Ei, vou te ajudar com as sacolas. Eu posso carregá-las.”

E eu nunca vou esquecer essa senhora se virando pra mim, e o olhar de medo em seu rosto.

Ela pensou que eu estava tentando roubar suas sacolas.

Ela realmente pensou que eu estava roubando.

Foi só um momento. Mas você não pode ter aquele momento de volta. A inocência acabou ali.

Foi quando eu percebi: Oh, é assim que algumas pessoas sempre vão me ver, hein? Nasci aqui, mas nunca serei alemão para alguns alemães.

É bem complexo, porque a Alemanha deu tudo à minha família. Meus pais eram refugiados da guerra civil em Serra Leoa. Muitas pessoas não sabem o que aconteceu lá. África? O que é a África? Apenas as imagens na TV das crianças com barrigas grandes e famintas. Você se sente mal por um segundo, e então muda de canal. Esta é a África, para algumas pessoas. O terceiro mundo, o mundo esquecido.

Rudiger The Players Tribune
Cortesia de Antonio Rüdiger

É o que chamamos de mentalidade do “gato na árvore”.

Quando você sai de uma guerra civil para um lugar legal como a Alemanha, é chocante no começo, porque você liga o noticiário e vê um gato preso em uma árvore. Ele mesmo subiu lá. Estava apenas brincando. Mas o que eles fazem? Mandam a polícia e os carros dos bombeiros buscarem esse gatinho. As pessoas se reúnem ao redor da árvore. Algumas delas estão chorando. Mandam o bombeiro subir na escada, e ele resgata o gato, e dão a ele um cobertor e uma tigela de leite. Todo mundo aplaude.

O bombeiro é um herói. O gato é um herói.

Mas dois milhões de pessoas deslocadas em uma guerra civil na África?

Este é apenas um número. Pelo gato, eles choram. Para os africanos, nem querem olhar.

Mesmo assim, faço questão de bater nessa tecla: meus pais são muito gratos por morar na Alemanha. Eles se recusam a chamar Neukölln de quebrada. Na verdade, para eles, sempre foi o paraíso na terra. Acabaram os tiroteios. Não há mais bombas explodindo durante a noite.

Sem dinheiro, sim, mas em paz.

Ser rico para nós era outra coisa. Rico, para nós, era ter comida para comer, bebida para beber. Você tem um prato grande no meio da mesa com arroz jollof e frango? Você é rico naquele dia, meu amigo.

O que é a África? Apenas as imagens na TV das crianças com barrigas grandes e famintas. Você se sente mal por um segundo, e então muda de canal.

Antonio Rüdiger

Para mim, futebol não era sonho. Era uma questão de sobrevivência.

Era quase como escolher ser encanador, padeiro ou advogado. Era uma forma de prover. Eu estaria mentindo pra você se dissesse que sonhava ter SUV's, jogar a Champions League ou coisa parecida. Não, essa aventura no futebol era para tirar minha família de Neukölln, ponto.

Me lembro do exato momento em que tive essa percepção. Certa manhã, eu estava na cozinha e pedi um pouco de dinheiro pra minha mãe. Acho que foi para uma excursão da escola ou algo assim. Foram apenas alguns euros. Mas ela não podia me dar.

E eu também me lembro exatamente do que me machucou. Não foi o “não” em si, mas a expressão em seu rosto. Conhecemos nossas mães melhor do que qualquer outra pessoa. O que partiu meu coração foi que eu pude ver que ela queria muito me dar o dinheiro, mas não podia.

E eu literalmente disse a mim mesmo: “Eu tenho que ser homem agora. Eu tenho que tirar minha família daqui.”

Eu tinha uns oito anos, sério.

Se você não cresceu em um bairro de imigrantes, pode pensar que estou exagerando. Mas garanto que algumas pessoas estão dizendo: “Oito anos? Irmão, você teve sorte. Eu tive que me tornar homem aos seis!!!”

Pra quem tá de fora, às vezes é difícil entender.

Quando Thomas Tuchel virou técnico do Chelsea, ele me fez uma pergunta interessante. Obviamente, nós dois somos alemães, mas não nos conhecíamos pessoalmente. Eu passava por momentos difíceis no Chelsea antes de Tuchel assumir. Então, quando ele chegou, acho que estava tentando me decifrar.

Ele disse: “Toni, deixa eu te perguntar uma coisa. Eu te observo e vejo que você é muito intenso em campo. Você joga com tanta emoção... De onde vem isso?”.

E eu contei pra ele a minha história. Conversamos um pouco. Mas, na real, eu poderia ter dito apenas uma palavra…

“Neukölln.”

Simples assim.

Eu costumava jogar com tanta vontade nos campos de concreto que todos os meus tênis tinham buracos. Eram basicamente sandálias. Eu era tão intenso que as pessoas começaram a me chamar de Rambo.

Jogava querendo e precisando provar algo.

“Você não pertence a este lugar.”

Sabe quantas vezes eu já ouvi isso?

Sabe quantas vezes me disseram para voltar pra África?

Sabe quantas vezes fui chamado de n****?

Aos oito anos de idade, eu tive de perguntar ao meu pai: “Que palavra é essa, n****?”.

Alguns colegas da escola comiam um doce alemão chamado schoko küsse (beijo de chocolate).

Aí começaram a me chamar de n**** küsse. E eu realmente não sabia o que a palavra significava. Então, voltei pra casa e perguntei ao meu pai, e ele disse algo sagaz.

“Esta é uma palavra ignorante, filho. Mas o motivo dessas crianças te chamarem assim na escola é porque os pais delas falam isso em casa o tempo todo.”

Quando você cresce sendo chamado assim, você tem uma escolha: pode optar por ignorar e tentar manter sua dignidade ou pode lutar.

Muitas vezes, tive que lutar. Muitas vezes, tive que sangrar. Essa mentalidade me moldou como jogador de futebol.

Eu faria o que fosse preciso para dar certo.

Antonio Rudiger Gabriel Jesus Brasil x Alemanha
Soccrates Images/Getty Images

Jamais esquecerei o dia em que deixei minha família, aos 15 anos, para ingressar na base do Borussia Dortmund. Minha mãe chorou a semana toda. Ela não queria que eu fosse. Pensando na imagem dela chorando agora... Uau! Isso me traz tanta emoção, tanta dor.

Mas eu disse a ela, um pouco antes de sair: “Um dia, tudo isso vai valer a pena. Um dia, estaremos juntos novamente.”

Fechei a porta da frente e pensei comigo mesmo: Você está a um passo de distância. Mas sua família ainda está aqui. Você tem que arrastá-los com você.

Isso foi há 13 anos e parece que foi ontem.

Eu nunca teria acreditado que um dia estaria jogando uma final de Champions League. Você sabe com quantos garotos talentosos eu cresci nas ruas e que nunca vingaram?

Quando você vem de um lugar como Neukölln, não está apenas lutando contra outros jogadores talentosos para chegar ao topo. Você também está lutando contra a ignorância. Quando eu estava iniciando a carreira no VfB Stuttgart, da Alemanha, nunca sofri nenhum tipo de abuso tão escancarado como na Itália. Era mais sutil.

Foi só ter uma sequência de jogos ruins que, de repente, a imprensa começou a vasculhar meu histórico. E como eles faziam questão de se referir a mim?

“Antonio Rüdiger, de Berlin-Neukölln.”

Ahhh, ele é tão agressivo. Ele é tão bruto. Bem, é porque ele é de Neukölln.

Se você se envolver em uma briga no treinamento e for de um determinado bairro, o que eles dizem? Você é competitivo. Um líder!

E se você é de um tipo diferente de bairro? Você é um gangster. Você é perigoso.

Consegue ver como isso começa? Sutil. Mesma personalidade, rótulo diferente.

Então, você chega a um lugar como a Itália, e é outro nível. Tudo bem que eu amei a Itália. Eu amei Roma. As pessoas podem te abraçar ou mesmo beijar na primeira vez que te encontram. É uma cultura muito calorosa. Mas certas figuras na imprensa estão sempre jogando, e esses jogos podem ser muito perigosos.

Antonio Rudiger Lazio Roma racismo
Paolo Bruno/Getty Images

Durante meu primeiro Derby della Capitale, não tive problemas com os ultras da Lazio. Não houve ofensas racistas. Mas, antes do meu segundo dérbi, o repórter me perguntou sobre o técnico da Lazio, Simone Inzaghi, durante uma entrevista.

Eu respondi a ele: “Eu não o conheço, mas ouvi dizer que ele está fazendo um bom trabalho por lá”.

Eu quis dizer que não o conhecia pessoalmente. Mas o repórter distorceu tudo e fez parecer que eu estava desrespeitando Inzaghi. Como se eu estivesse dizendo que nunca tinha ouvido falar dele. E aí jogam gasolina na fogueira por cliques. É quando a máquina de rede social começa a trabalhar e você não pode fazer nada a respeito. Antes do jogo, eu já era o vilão. Uma loucura.

É por isso que eu rio sempre que as pessoas perguntam: “Por que esses atos racistas acontecem? Quem faria algo tão terrível?”.

Bom, vamos olhar mais a fundo. Ou melhor, olhe para as arquibancadas.

O que acontece quando as pessoas gritam insultos em uma partida? O que os torcedores ao seu redor fazem? A maioria deles age como se nada estivesse acontecendo. Talvez eles até riam disso. Eles concordam com isso, porque são “inocentes”.

Vamos mais longe. Até mesmo nós, jogadores de futebol, fazemos parte desse sistema. Quantas vezes temos esse tipo de conversa profunda no vestiário? Não com tanta frequência, para ser honesto. Parece que estamos realmente muito alienados para falar sobre essas coisas da vida real. É sempre PlayStation, Instagram, carros, a próxima partida – sempre há algo para nos alienar de assuntos mais difíceis.

Por que ficar desconfortável? Por que falar de coisas que nos deixam tristes? Já existe muita pressão por vitórias.

Então, o que fazemos? Postamos algumas frases feitas no Instagram.

“Chega de racismo!!!!”

Postando, postando, postando. Como se a gente tivesse feito algo. No entanto, não fizemos nada. Nada muda.

Não é meu trabalho saber por que as coisas são assim. Mas eu sei qual é o gosto.

Amargo.

É um gosto amargo.

Se você entrar em suas menções na mídia social, verá um lado muito sombrio da humanidade. Você vai entender que ainda temos um caminho longo, muito longo, a percorrer como sociedade.

Antonio Rüdiger

Você pode estar se perguntando por que eu estou falando sobre isso agora. Bem, veja tudo o que vivi no Chelsea nesta temporada. Apenas quatro meses atrás, eu estava acabado. Naquela época, se você lesse algo sobre mim na imprensa inglesa, teria uma imagem muito diferente de mim como pessoa em comparação com quem eu realmente sou. Eu nem posso dizer que me senti incompreendido. Porque, na verdade, eu senti que as pessoas não sabem nada sobre mim.

Eu era apenas um nome.

“Rüdiger.”

Eu era o que quer que a imprensa dissesse que eu era. As coisas estavam indo mal e eu não atuava muito. Logo, eu era um bode expiatório muito fácil.

Você deve ter lido tudo isso sobre mim, tenho certeza.

Eu fui a razão pela qual o treinador foi demitido.

Eu estava trazendo más vibrações.

Você sabe exatamente do que eu estou falando.

E as ofensas racistas que recebi nas redes sociais naquela época? Uma insanidade.

Quero deixar bem claro: não acho que a imprensa inglesa estava me criticando por causa da minha origem ou da cor da minha pele. Mas quero que as pessoas entendam o que acontece quando coisas assim são escritas sobre você. Se você entrar em suas menções na mídia social, verá um lado muito sombrio da humanidade. Você vai entender que ainda temos um caminho longo, muito longo, a percorrer como sociedade.

E veja como a história pode mudar rapidamente. Quatro meses atrás, as redes sociais diziam que eu não valia nada. Kai Havertz não era bom o suficiente. Timo Werner não era bom o suficiente. Pouco importa que Kai e Timo tenham se mudado para um novo país no meio de uma pandemia. Pouco importa que sejamos seres humanos, não robôs. Nada importa. Todos nós éramos inúteis.

Agora aqui estamos quatro meses depois, em uma final da Champions League.

Talvez esta seja uma boa lição para todos. Pode ser. Mas não tenho tanta certeza disso. O problema da aula é que, se quiser aprender alguma coisa, você realmente precisa ouvir.

Quantas pessoas realmente querem ouvir?

Quantas pessoas viram esta postagem e clicaram no botão Curtir porque isso faz com que se sintam bem?

Quantas pessoas realmente leram minhas palavras e pensaram profundamente sobre elas?

Sabe o que é engraçado? Às vezes, as pessoas me questionam: “Toni, por que você se importa? São apenas trolls nas redes sociais. Não são pessoas reais.”

Rudiger carta The Players Tribune Chelsea
Matthew Ashton/AMA/Getty Images

Rá! Fala sério...

Nas últimas semanas, recebi muitas mensagens dizendo basicamente a mesma coisa:

“Toni, me desculpe.”

Estes não são bots. Estas são pessoas reais, se desculpando comigo pelas coisas terríveis que me mandaram em janeiro.

Mas pergunte a si mesmo, por que eles estão fazendo isso? Você acha que eles olharam dentro de seus corações e decidiram se educar? Você acha que eles deram uma boa olhada no espelho?

Não sei. Pode ser. Talvez não.

Mas sei que estamos vencendo. Agora, eu sou útil para eles. Talvez eu seja até um ser humano aos olhos deles.

Eu não tenho nenhum ódio por essas pessoas em meu coração. Mas eu diria uma coisa a elas: se você for verdadeiro no que diz e realmente se arrepender, não me envie um tuíte.

Afaste-se do celular por um minuto. Pare de tuitar.

Eduque-se. Leia um livro sobre a história do povo preto e, de fato, abra sua mente para as vivências de outras pessoas. Isso é muito mais significativo do que enviar um tuíte. É aqui que podemos começar.

Eu não sou ingênuo. Não espero que tudo mude da noite para o dia. Não espero que a comunidade do futebol se reúna para acabar com o racismo em 48 horas, como acabou com a Superliga.

Não resolveremos esse problema com uma campanha de mídia social nem mesmo com esta carta.

Já vivi demais para ter a esperança de um menino.

Mas eu não estou desiludido. Vou continuar lutando – para sempre. Porque eu sei que existem pessoas lá fora que se importam. Eu sei que existem pessoas que realmente me ouvem.

Para vocês, estou falando francamente.

Por vocês, estou jogando essa final da Champions League.

Vocês sofreram comigo, choraram comigo.

E, inshallah, se eu erguer o troféu no sábado, vocês vão erguer o troféu com o menino de Neukölln.

Rudiger The Players Tribune

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